Crítica: Confissões de uma Garota de Programa

confissao de uma garota de programa

Chelsea (Sasha Grey) é uma pros­ti­tu­ta de luxo em Con­fis­sões de uma Garo­ta de Pro­gra­ma (The Girl­friend Expe­ri­ence, EUA, 2009), de Steven Soder­bergh[bb], e assim como o títu­lo orig­i­nal sug­ere, ela ofer­ece uma exper­iên­cia mais difer­ente a seus clientes, a de uma namora­da.

Este não é mais um daque­les filmes que somente retra­ta a história de uma pros­ti­tu­ta que tem um namora­do, neste caso Chris (Chris San­tos[bb]), e todos os prob­le­mas que sua profis­são pode provo­car neste romance. O tema mais aparente é a crise finan­ceira, que afe­ta todas as profis­sões, inclu­sive a de Chelsea, que é con­sid­er­a­da a mais anti­ga de todas, e pes­soas ten­tan­do superá-la. O casal tam­bém está procu­ran­do maneiras de gan­har mais din­heiro, nos seus respec­tivos tra­bal­hos. Ele ten­tan­do vender planos mais caros, na acad­e­mia que tra­bal­ha, e ela queren­do inve­stir mais em seu site e obter mel­hores qual­i­fi­cações em fóruns on-line que anal­isam o seu tipo de serviço.

Para quem não sabe, Sasha Grey é uma atriz pornô, e esta é a sua estreia como atriz. Soder­bergh ao escol­her ela, pro­duz­iu um resul­ta­do bem inter­es­sante não só no próprio per­son­agem, mas no filme inteiro tam­bém. Em uma toma­da, um repórter a per­gun­ta se é real­mente pos­sív­el um cliente con­hecer quem é a Chelsea de ver­dade e, ela responde que, se alguém quisesse que ela fos­se ela mes­ma, não estari­am pagan­do. Aí vem a per­gun­ta, é pos­sív­el real­mente saber quem é tam­bém, como pes­soa, a própria Sasha Grey? Todos que a “con­hecem”, tam­bém não estão de cer­ta for­ma pagan­do por uma per­son­agem?

A tra­ma ger­al em si é bem sim­ples, mas dev­i­do à edição bem fei­ta, que a exibe de for­ma total­mente não lin­ear, como se mon­tasse aos poucos um grande que­bra cabeça, esti­lo que reme­teu bas­tante ao já uti­liza­do em 21 Gra­mas, de Ale­jan­dro González-Iñár­ritu. A fil­magem de Con­fis­sões de uma Garo­ta de Pro­gra­ma, lem­bra muito um doc­u­men­tário, com movi­men­tos con­stantes na câmera que, as vezes, fica bas­tante cansati­vo. As falas dos per­son­agens, que foram semi-impro­visadas, tam­bém aju­daram a cri­ar esse aspec­to mais doc­u­men­tal.

Con­fis­sões de uma Garo­ta de Pro­gra­ma não é mais um caso de uma Bruna Sur­fistin­ha, em seu diário ela escreve que tipo de roupa esta­va usan­do e alguns detal­h­es do encon­tro, mas nada rela­ciona­do a sexo. O inter­es­sante é que sexo está em todo lugar no filme, exce­to que não há sexo. Uma óti­ma opor­tu­nidade para se (re)pensar sobre as relações, prin­ci­pal­mente a inco­mu­ni­ca­bil­i­dade den­tro delas.

Con­fi­ra tam­bém out­ras críti­cas de filmes no blog Claque ou Cla­que­te, por Joba Tri­dente.

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Dossiê Daniel Piza
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