Crítica: A Centopéia Humana

a centopeia humana

Por que será que o ser humano se interessa tanto pelo grotesco? Parece que somos atraídos por aquilo que nos causa repulsa. Foi de carona nessa questão que surgiu A Centopéia Humana (The Human Centipede, Holanda/Reino Unido, 2009), de Tom Six. Longe de ser uma superprodução, teve um custo bem baixo e foi filmado todo com câmera digital, ele possui um roteiro que tenta nos mostrar algo extremamente cruel e de mau gosto, mas não convence.

Duas garotas norte-americanas estão passando férias na Europa quando o carro delas quebra em um bosque da Alemanha. Todos os clichês estão ali: usam pouca roupa, chove, está escuro e só há uma casa nas redondezas. Elas vão procurar auxílio e se deparam com um homem chamado Dr. Heiter, conhecido por ser o melhor cirurgião de gêmeos siameses. Aí começam os problemas das garotas. Elas são dopadas e transferidas para o porão da casa onde existe uma espécie de consultório médico. Um japonês também é capturado um pouco depois delas e o Dr. Heiter explica seu propósito: ele quer torna-los trigêmeos siameses, ligados pelo sistema gástrico. Assim como o título sugere, ele deseja criar A Centopéia Humana.

Não é de hoje que o cinema mostra essa relação do ser humano com sua natureza mórbida. Não vampiros ou monstros, apenas o ser humano e seus medos mais profundos. Em 1920, O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene, nos mostrou Cesare, um sonâmbulo que era controlado pelo Dr. Caligari e forçado a cometer os mais diversos crimes. A mente doentia do ser humano foi claramente mostrada neste filme.

Já se vão 90 anos desde este clássico do terror e diversos filmes com essa temática foram realizados. Thriller, de Bo Arne Vibenius, um filme sueco sobre vingança foi um dos que mais se destacou nos anos 70, juntamente com Saló ou Os 120 dias de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini. Neles encontramos a clássica violência gratuita. O intuito era chocar, mesmo com uma ponta de sentido moral. Outros como Pink Flamingos, de John Waters, usaram a comédia para mostrar o lado grotesco. Filmes mais recentes mostraram que essa temática ainda é bastante atraente para o público, e já foi mais do que provado que o mórbido atrai o ser humano. Diariamente notamos que a dor alheia chama a atenção, por que não mostrar isso num filme? Dread, de Anthony DiBlasi, e Martyrs, de Pascal Laugier, tratam basicamente do mesmo assunto: uma pessoa sofrendo pelo bem de outras ou para si mesma. A dor é colocada como um aprendizado nada saudável.

A idéia em si de A Centopéia Humana é fantástica, mas foi pouco desenvolvida. O médico é um louco que quer realizar seu plano. Ponto. As cenas são todas como esperado: batidas na porta que cessam de repente, o vilão que aparece nos lugares mais inesperados, a polícia que não consegue ajudar em nada e os gritos desesperadores das vítimas. Em meio a tantos filmes desse tema, este peca por excessos de clichês e se torna apenas mais um filme de terror que tenta assustar, mas não consegue. E a segunda parte do filme está prevista para breve.

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Comentários

  1. avatar Patricia disse:

    Muito bacana a resenha, até eu que não gosto desse tipo de filme fiquei com vontade de assistir… rs

Dossiê Daniel Piza
Spirallab