Crítica: Histórias de amor duram apenas 90 minutos

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Nessa última década o cinema brasileiro vem tentando criar novas identidades audiviosuais e, optando pela tentativa de narrativas e enredos que fujam do já batido favela-sertão do país, muitos filmes surgem com enredos contemporâneos e urbanos. Histórias de amor duram apenas 90 minutos (Brasil, 2009), de Paulo Halm é mais um desses filmes com características fiéis a essa nova fase.

Em Histórias de amor duram apenas 90 minutos tudo gira em torno da crise de criação do aspirante a escritor Zeca (Caio Blat). Ele já está na casa dos 30 anos, é casado com a aparentemente bem resolvida Julia (Maria Ribeiro) e ainda vive com o dinheiro que seu pai dá todo mês. Zeca passa a acreditar que sua mulher o trai e vai mais além, ele acha que ela o trai com uma outra mulher, a bela dançarina Carol (Luz Cipriota). O fetiche masculino está completo a partir do momento em que Zeca passa a se sentir atraído pela sexy dançarina argentina.

Quem nos conta a angústia da falta de produção e as aventuras sexuais-amorosas é o próprio Zeca, que apresenta o seu insucesso de sair da página 50 do seu futuro livro e acaba por ser escravo de suas próprias paranóias e ócio. O narrador de Histórias de amor duram apenas 90 minutos vive o paradoxo de desejar uma vida sem pudores e, por outro lado, fica lamentado os seus atos, o que acaba, infelizmente, somando pontos contra a convencibilidade do personagem.

Zeca é o estereótipo moderno de algum escritor marginal da década de 60 ou 70, só com a diferença de ter quem sustente sua vida alternativa. Mas Caio Blat sabe orientar o personagem justamente pela falta de autenticidade e dependência do Zeca e também pela narrativa divertida que ele apresenta o desenrolar da história. O que não convence muito, e aparenta muitas vezes forçada, é a sensualidade da personagem Carol, que abusa do sotaque e das curvas argentinas para dar charme a interpretação.

A produção de arte no Histórias de amor duram apenas 90 minutos tem um quê de originalidade destacando os dois ambientes mais importantes do filme, os apartamentos do casal e da argentina, ambos muito legais e fiéis ao estilo dos personagens. A fotografia das ruas de boêmia carioca também é ótima e dá charme à película.

Histórias de amor duram apenas 90 minutos não é nenhuma produção grandiosa, sem ousadias de enredo ou de linguagem, mas é um filme que vai além do cinema atual, que tenta ser pseudo crítico e extremamente expositivo sobre as deficiências sociais do país.

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Dossiê Daniel Piza
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