Crítica: Cabeça a Prêmio

Cabeça a Prêmio (Brasil, 2010), estréia do diretor Marco Ricca, baseado em livro homônimo de Marçal Aquino, é um filme nacional que apesar de ter um enredo misturando drama e policial, com elementos já bem conhecidos, consegue ousar e apresentar um resultado muito pouco convencional.

Miro (Fulvio Stefanini) é um poderoso criador de gado, que também faz paralelamente outros “negócios” junto com seu irmão Abílio (Otávio Müller). Para isso eles usam o piloto de aluguel Denis (Daniel Hendler), que tem um caso com a filha de Miro, Elaine (Alice Braga), e faz o transporte de mercadorias pela fronteira do país. Também há mais dois capangas, Albano (Cássio Gabus Mendes) e Brito (Eduardo Moscovis), responsáveis por manter a ordem e servirem de guardas costas. Resumindo: uma pequena família de mafiosos nacional.

Cabeça a Prêmio praticamente não faz uso de trilha sonora, só em poucas tomadas de paisagem e de contemplação de algum personagem também com a paisagem, sendo bastante “cru” na exibição dos acontecimentos, gerando uma contemplação maior aos eventos ocorridos. Acredito até que ele poderia ter dispensado toda trilha sonora, pois quando ela se faz presente acaba destoando com com clima do filme em geral. As paisagens ganham um destaque especial no longa, não só pela beleza com que foram filmadas, mas pelo significado que ganham com o silêncio e vazio que o filme propõe.

Sem flashbacks ou qualquer tipo de recurso para tentar explicar as motivações de cada personagem, somos literalmente jogado em situações para, cada um, tentar encaixar por si mesmo as peças do quebra cabeça ao qual somos apresentados. Infelizmente o uso excessivo desta técnica em Cabeça a Prêmio acabou gerando uma falta de conexão com o enredo em geral, resultando em um sentimento de que muito está acontecendo, mas ao mesmo tempo nada realmente se desenvolve.

A riqueza e a ganância, são mostradas literalmente com todo seu peso, amargura e indiferença em relação a vida. Tudo é apenas um negócio, que na verdade nunca sabemos qual realmente é, e as pessoas são simplesmente empregados, tentando pisar em cima do outro a qualquer oportunidade. Todos esses elementos são extremamente claros em Cabeça a Prêmio não por serem destacados ao excesso na tela, mas por possuírem uma sutileza muito marcante.

Mesmo Cabeça a Prêmio sendo uma produção muito boa, com elementos não muito convencionais, o filme em geral parece que literalmente não acontece, no sentido de não agradar e cativar, e tem poucas chances de conseguí-lo em relação ao público. Isso inclui tanto os que buscam o mais convencional quanto aos que querem coisas mais diferentes.

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Dossiê Daniel Piza
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