Crítica: Acampando no Inferno

Para um filme do gênero suspense realmente funcionar é necessário uma boa dose de elementos inteligentes que atraiam o espectador. Além disso, a película deve ter um roteiro que realmente surpreenda e não caia na mesmice comum ao estilo. Infelizmente, Acampando no Inferno (Camp Hope, E.U.A, 2010) , dirigido por George VanBuskirk, é mais um suspense forjado por preconceitos.

O enredo de Acampando no Inferno consiste em um grupo de jovens cristãos, que todo verão vão para aos arredores de Nova Jersey acampar para realizarem seu retiro espiritual, fugindo das distrações da vida comum. Um padre, aparentemente carismático, é o guia desses jovens na redenção dos pecados, mas algo de estranho acontece com ele e coisas assustadoras começam a surgir no pequeno grupo. Recheado de símbolos considerados pagãos, o enredo se envereda para o lado dos pecados cometidos por cristãos fiéis e de que forma se dão as punições contra aqueles que não respeitam as leis divinas.

Alguns elementos poderiam, de fato, serem muito bem utilizados no roteiro de Acampando no Inferno, mas infelizmente os exageros são os pontos degradantes do longa. O conceito de comunidade religiosa se resume ao extremismo dos estilos de vida comuns aos cristãos americanos e, em muitos casos, vezes a pregação aos bons costumes soa forçado demais. Os jovens são repreendidos de forma veemente a respeito da sexualidade, vida além-igreja e, inclusive, os quadrinhos são alvo dos monitores do acampamento contra o pecado.

A fotografia associada aos locais de filmagem lembram muito antigas séries americanas,bem limitadas e com pouca variabilidade. Já as atuações, por conta dos elementos citados, se apresentaram forçadas, um exemplo disso foi a atriz Dana Delany, conhecida por séries de sucesso, surgir como uma mãe cristã com falas e atitudes extremamente bobas. Em geral, no longa como um todo, impera a sensação de falta de originalidade.

Acampando no Inferno é um filme interessante em duas questões: para compreender um pouco o extremismo pregado pelas atuais igrejas evangélicas e para aqueles que gostam de filmes de suspense que trabalham com as crenças religiosas e alienações quanto a dualidade da salvação versus pecado. Mas, no geral, nem mesmo o aviso ¨Baseado em fatos reais¨ causa grandes sentimentos além do sono, durante o filme.

Trailer:


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Dossiê Daniel Piza
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