Cineclube do Belas Artes apresenta: Coletânea Duetos Antológicos

A coletânea apre­sen­ta­da pelo Cineclube, de 28 de janeiro a 24 de fevereiro, traz qua­tro obras-pri­mas do cin­e­ma, todas pro­tag­on­i­zadas por duplas de grandes atores em atu­ações mem­o­ráveis. Ter­e­mos Burt Lan­cast­er e Susan Saran­don em Atlantic City, de Louis Malle; Ingrid Bergman e Liv Ull­mann em Sonata de Out­ono, de Ing­mar Bergman; Sophia Loren e Mar­cel­lo Mas­troian­ni em Um Dia Muito Espe­cial, de Ettore Sco­la; e Cather­ine Deneuve e Gérard Depar­dieu em O Últi­mo Metrô, de François Truf­faut.

O ter­mo due­to, uti­liza­do para bati­zar essa coletânea, cos­tu­ma servir para indicar uma canção ou um espetácu­lo musi­cal inter­pre­ta­do por uma dupla de can­tores. Aqui o caso é out­ro, não há musi­cal nen­hum, mas, ao mes­mo tem­po, cada um dess­es filmes bem pode­ria ser uma ópera can­ta­da em duo. Dá para imag­i­nar per­feita­mente. São filmes em que os diál­o­gos foram escritos, muito provavel­mente, já inspi­ra­dos nos atores ou atrizes que viri­am a dizê-los. O resul­ta­do, então, aca­ba sendo musi­cal.

Atlantic City, vence­dor do prêmio de mel­hor filme no Fes­ti­val de Veneza, con­ta com as atu­ações arrebata­do­ras de Burt Lan­cast­er e Susan Saran­don. Ele inter­pre­ta um vel­ho gang­ster em decadên­cia e ela uma aspi­rante a crupi­er que acabou de aban­donar o mari­do, um traf­i­cante de dro­gas. São dois tipos sem per­spec­ti­vas unidos pelo aca­so. A abso­lu­ta empa­tia entre os dois atores faz desse filme um exem­plar indis­pen­sáv­el nes­sa coletânea.

Sonata de Out­ono explo­ra de maneira lin­da (e dolorosa) a capaci­dade dramáti­ca de duas atrizes de ger­ações e exper­iên­cias dis­tin­tas, ambas extra­ordinárias. Ingrid Bergman aparece na história como uma famosa pianista já na meia idade, que, depois de anos de desatenção com a família, vai vis­i­tar a casa de uma das fil­has. Liv Ull­mann, no papel da anfitriã, faz dessa ocasião a opor­tu­nidade que pre­cisa­va para expor anti­gas mágoas até então recol­hi­das.

Um Dia Muito Espe­cial é, na real­i­dade, um reen­con­tro entre Sophia Loren e Mar­cel­lo Mas­troian­ni após terem par­tic­i­pa­do de pelo menos três grandes suces­sos do dire­tor Vit­to­rio de Sica: Ontem, Hoje e Aman­hã, Matrimônio à Ital­iana e Os Girassóis da Rús­sia. Mas no filme de Ettore Sco­la eles vivem uma situ­ação séria, total­mente difer­ente do cli­ma das comé­dias de Vit­to­rio de Sica. Mas­troian­ni, o maior latin lover das telas, depois de Rodol­fo Valenti­no, aparece como um radi­al­ista homos­sex­u­al e solitário. Sophia faz o papel da viz­in­ha casa­da e infe­liz com quem ele irá pas­sar o dia muito espe­cial do títu­lo.

O Últi­mo Metrô, por sua vez, deu a Gérard Depar­dieu e Cather­ine Deneuve o prêmio César de ator e atriz prin­ci­pais em 1981. Além dis­so, o filme foi indi­ca­do ao Oscar de mel­hor obra estrangeira. O enre­do é uma lin­da história de amor em tem­pos de guer­ra, ambi­en­ta­da em 1942, com Deneuve viven­do uma atriz de teatro que tem o mari­do judeu escon­di­do dos nazis­tas no porão do local onde ela própria ensa­ia e se apre­sen­ta. Enquan­to isso, Depar­dieu entra em cena como o ator que ela con­tra­ta para ser seu par român­ti­co no espetácu­lo.

Cada filme será apre­sen­ta­do por uma sem­ana, diari­a­mente, em sessão úni­ca, em horário que pode vari­ar entre 19h e 19h30.

Sinopses:


ATLANTIC CITY (Atlantic City)
EUA/França, cor, 104 min., 14 anos.
Direção: Louis Malle
Elen­co: Burt Lan­cast­er, Susan Saran­don e Michel Pic­coli.
Em Atlantic City um vel­ho gâng­ster vive em decadên­cia quan­do con­hece uma garo­ta que está apren­den­do o ofí­cio de croupi­er. Por out­ro lado, o mari­do dela está com algu­mas dro­gas que roubou da máfia e chama o gang­ster para vendê-las. Mas em meio a essa nego­ci­ação algo dá muito erra­do e os mafiosos pas­sam a ameaçar a vida da jovem.


SONATA DE OUTONO (Höst­sonat­en)
Sué­cia, 1978, cor, 99 min., 14 anos.
Direção: Ing­mar Bergman
Elen­co: Ingrid Bergman, Liv Ull­mann e Lena Nyman.
Uma pianista visi­ta a fil­ha, no inte­ri­or da Norue­ga. Enquan­to a mãe é um artista de renome inter­na­cional, a fil­ha é tími­da e deprim­i­da. Esse encon­tro ten­so, mar­ca­do por lem­branças do pas­sa­do, rev­ela uma relação reple­ta de ran­cor, ressen­ti­men­tos e cobranças.


UM DIA MUITO ESPECIAL (Una Gior­na­ta Par­ti­co­lare)
Itália, 1974, cor, 105 min., 14 anos.
Direção: Ettore Sco­la
Elen­co: Sophia Loren, Mar­cel­lo Mas­troian­ni e John Ver­non.
A dona de casa Antoni­eta e Gabriel, seu viz­in­ho homos­sex­u­al, se con­hecem na pri­mav­era de 1938, quan­do Adolf Hitler visi­ta Ben­i­to Mus­soli­ni. O estran­ho casal vive uma inten­sa relação humana que, ape­sar dos dra­mas e esper­anças com­par­til­ha­dos, não altera em nada a lim­i­tação das suas vidas.


O ÚLTIMO METRÔ (Le Dernier Métro)
França, 1981, cor, 132 min., 14 anos.
Direção: François Truf­faut
Elen­co: Cather­ine Deneuve, Gérard Depar­dieu e Heinz Ben­nent.
Paris, 1942. Durante a ocu­pação nazista, um judeu dono de um teatro é força­do a deixar o país. A sua mul­her, uma atriz, dirige o teatro por ele. Ela ten­ta man­ter o teatro vivo com a ence­nação de uma nova peça e decide con­tratar um ator para o papel prin­ci­pal. Na ver­dade, porém, o mari­do dela con­tin­ua no local, escon­di­do no porão. E é dali que, sec­re­ta­mente, dá con­tinuidade ao seu tra­bal­ho de direção. Um filme inesquecív­el sobre a vida, o teatro e o amor em tem­pos de guer­ra.


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