Crítica: 127 Horas


Histórias de sobre­viventes já eram block­buster ou best­seller muito antes do próprio cin­e­ma ou livro exi­s­tirem. 127 Horas (127 Hours, EUA/Inglaterra, 2010), dirigi­do por Dan­ny Boyle, é mais um filme a explo­rar esse mer­ca­do (que o Dis­cov­ery Chan­nel ado­ra), trazen­do todas as car­ac­terís­ti­cas que o cin­e­ma e o seu dire­tor podem ofer­e­cer.

Durante uma de suas via­gens nas mon­tan­has de Utah, Esta­dos Unidos, o alpin­ista Aron Ral­ston (James Fran­co), aca­ba fican­do com uma parte do seu cor­po pre­so em uma fen­da. Ele fica nes­ta situ­ação durante 127 horas, com pou­ca comi­da e água, não desistin­do em nen­hum momen­to.

A mon­tagem de 127 Horas é bem dinâmi­ca, pos­suin­do um rit­mo mais acel­er­a­do, con­tan­do com a união de várias tomadas na tela, sep­a­radas geral­mente por lin­has ver­ti­cais, que já é car­ac­terís­ti­co do dire­tor, aju­da nesse dinamis­mo. Para quem gos­ta de mon­ta­gens difer­entes, recomen­do O Livro de Cabe­ceira, de Peter Green­away, que é um dos poucos (senão o úni­co) que con­heço que soube real­mente ultra­pas­sar os lim­ites dessa téc­ni­ca. Além dis­so, tam­bém é dado uma atenção espe­cial ao inte­ri­or dos obje­tos uti­liza­dos (gar­rafas, câmera, mangueira, …, até um braço) assim como em pequenos ele­men­tos (formi­gas, pupi­la, …). Para quem já viu o filme Réquiem para um Son­ho, do Dar­ren Aronof­sky (que recen­te­mente fez Cisne Negro), não verá nen­hu­ma novi­dade nesse esti­lo, poden­do inclu­sive achar uma cópia descara­da.

O filme real­mente tem umas cenas mais fortes, mas nada exager­a­do. Aliás, são pou­cas vezes que real­mente vemos o per­son­agem prin­ci­pal demon­stran­do dor. Mas vale destacar a atu­ação de James Fran­co, que ficou muito envol­vente e caris­máti­ca. A tril­ha sono­ra de 127 Horas tam­bém aju­da bas­tante na cri­ação de uma ambi­en­tação mais leve, ape­sar da situ­ação deses­per­ado­ra. É curioso notar como no filme, e na própria história de Aron, o reg­istro dos momen­tos e lugares, tan­to por foto como por vídeo, tem um papel muito impor­tante. Como hoje em dia as pes­soas vão acred­i­tar em uma história tão incrív­el como esta se não hou­ver nen­hum reg­istro que pos­sa ser com­par­til­ha­do?

127 Horas é um ver­dadeiro mer­gul­ho no instin­to de sobre­vicên­cia de um ser humano, que é capaz de faz­er tudo para sair vivo de uma situ­ação. Ape­sar de não pos­suir nada de muito orig­i­nal, vale mes­mo assim o ingres­so pela exper­iên­cia.

Se alguém quis­er assi­s­tir algo real­mente difer­ente, mas com a mes­ma temáti­ca, recomen­do o filme Enter­ra­do Vivo, do dire­tor Rodri­go Cortés. Nele temos um per­son­agem, o úni­co que é exibido em todo lon­ga, pre­so den­tro de um caixão ape­nas com alguns obje­tos, entre eles um celu­lar e um isqueiro, onde só vemos o que a luz deles con­seguem ilu­mi­nar.

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Dossiê Daniel Piza
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