Crítica: Catfish

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Cada vez mais, nossas vidas estão mais conectadas – ou registradas – na internet. Você posta um pensamento rápido no Twitter, se comunica com seus amigos no Facebook, envia suas fotos para o Flickr, … Catfish (USA, 2010) é um documentário, dirigido por Henry Joost e Ariel Schulman, que explora justamente as relações, cada vez mais, virtuais.

Nev Shulman é um fotógrafo de 24 anos de idade que ao ter uma foto publicada em um jornal, conhece Abby Pierce, uma menina de 8 anos que gosta de pintar. Através do Facebook, ele acaba conhecendo a irmã mais velha de Abby, Megan Faccio, a qual logo cria uma afinidade e a partir daí um relacionamento virtual se inicia.

Não vou falar muito pois Catfish é aquele tipo de filme que o quanto menos você sabe a respeito do decorrer da trama, melhor. Assim você consegue experienciar ao máximo sem ficar aguardando algum acontecimento já previsto, com as grandes surpresas já conhecidas. Tive a mesma sensação quando vi Ricky, outro longa muito interessante, sobre um bebê bem diferente do normal, onde qualquer informação a mais sobre ele estraga a surpresa.

Em A Rede Social, foi possível acompanhar o surgimento do Facebook e várias mudanças que esta ferramenta proporcionou. Já Catfish, simplesmente leva você muito mais além do uso dela e da comunicação á distância em geral. Para quem usa redes sociais na internet é muito difícil não haver qualquer tipo de identificação com o filme, pois ele lida com situações que acontecem todos os dias nelas. As várias questões entre o real e o virtual vividas por Nev, repercutem diretamente sobre todos os usuários mais ativos da internet. Uma das frases dita por ele que realmente traz o que pensar a respeito deste assunto é: “ela deve ser bem massa, pelo menos no Facebook…”.

Além disso nos faz refletir sobre a maneira que lidamos com relações no mundo virtual, com as novas possibilidades e limitações que existem dentro delas, sem ser de maneira alguma uma lição de moral ou algo educativo, mas sim um relato muito pessoal. Aliás, acredito que Catfish também poderia ser um ótimo estímulo para iniciar discussões sobre este assunto entre jovens, dentro ou fora das salas de aula.

Uma das grandes perguntas que fica durante e após ver Catfish é se aquilo realmente aconteceu da forma que foi exibido. Assim como o questionamento a respeito da internet levantado acima, temos o mesmo em relação ao próprio filme. Seria ele ficção, realidade, ou até uma mistura entre os dois? Devido ao seu estilo bem caseiro, descontraído e pessoal, é muito fácil esquecer de que há alguém segurando uma câmera em algum lugar, pois a sensação é de que estamos realmente lá com ele acompanhando aquelas situações.

Para quem ficou curioso do porque do título Catfish, no final dele um personagem fala uma curiosidade bem interessante sobre o bagre (catfish) que acaba explicando o motivo da escolha. Outra coisa interessante foi a apresentação, no início do filme, do logo da Universal, que ficou muito bem feita para poder combinar com o longa. Ideia parecida também foi feita para o longa Scott Pilgrim Contra o Mundo.

Conforme a trama de Catfish vai se desenvolvendo, uma certa tensão vai aumentando, a ponto de em certos momentos ficar tão grande que faz você se retorcer inteiramente numa mistura de curiosidade, medo e inconformidade. Confesso que poucos filmes me deixaram tão tensos quanto este. Infelizmente o mesmo ainda não foi lançado oficialmente aqui no Brasil, mas se por algum meio – há algumas versões legendadas pela internet – você tiver a oportunidade assistí-lo, não pense duas vezes.

Para quem quiser pesquisar mais depois de ter assistido, o site oficial do documentário Catfish é excepcional. Ele simula o acesso ao computador de Nev, onde você pode além de acessar alguns materiais sobre o longa, ver fotos, registro de conversas via chat e emails dele. Além disso há também uma pasta protegida, alguém por acaso conseguiu descobrir qual é a senha?

Outras críticas interessantes:

  • Alexandre Maki, no seu blog

Consegui achar um trailer legendado, mas mesmo havendo vários erros de tradução na legenda, para quem não entende inglês continua sendo válido. Mais abaixo coloquei o trailer original sem legendas.

Trailer Legendado:

Outro Trailer – Sem Legendas:


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