Three The Hard Way (1974), de Gordon Parks Jr.

Não tin­ha como dar erra­do. Three The Hard Way (EUA, 1974) jun­ta três dos maiores nomes da história do blax­ploita­tionJim Brown, de Slaugh­ter (EUA, 1972), mas provavel­mente mais con­heci­do pela (óti­ma) par­tic­i­pação em Marte Ata­ca! (EUA, 1996); Fred Williamson, ou O Chefão de Nova York (EUA, 1973), mas lem­bra­do por Um Drink no Infer­no (EUA, 1996); e Jim Kel­ly, o Williams de Oper­ação Dragão (Hong Kong/EUA, 1973) – dirigi­dos pelo respon­sáv­el por um dos mais clás­si­cos filmes do gênero – Gor­don Parks Jr. dire­tor do inques­tionáv­el Super­fly (EUA, 1972). Infe­liz­mente, os nomes podem diz­er pouco para a grande maio­r­ia dos fãs de cin­e­ma hoje em dia. O que impor­ta é que o lega­do dos caras está por aí para quem se inter­es­sar. Williamson ain­da tra­bal­ha fre­neti­ca­mente no under­ground do cin­e­ma, Brown aparece pouco, mas não se aposen­tou, e Kel­ly parece ter se dis­tan­ci­a­do um pouco das telas. Parks, que, aliás, era fil­ho do lendário Gor­don Parks, que dirigiu Shaft (EUA, 1971), mor­reu cedo, em 1979.

Mas volte­mos ao que inter­es­sa, que é Three The Hard Way.

Sem­pre achei o blax­ploita­tion um dos par­entes mais próx­i­mos do cin­e­ma de ação dos anos 80, ao lado dos filmes da Shaw Broth­ers. Talvez o blax­ploita­tion seja aque­le o tio bacana que usa ter­nos col­ori­dos, sei lá. Sei que Three The Hard Way deixa essa influên­cia mais clara que qual­quer out­ro exem­plar do gênero. Tem muito mais ação e vio­lên­cia do que era comum no gênero, com perseguições, tiroteios e o Jim Kel­ly dis­tribuin­do per­nadas toda hora.

A tra­ma é típi­ca daque­las que NUNCA se tornar­i­am real­i­dade no mun­do cin­e­matográ­fi­co hipócri­ta e meti­do a politi­ca­mente cor­re­to de hoje: supremacista bran­co pre­tende exter­mi­nar toda a raça negra con­t­a­m­i­nan­do a água com um vírus que não afe­ta os de ascendên­cia cau­casiana. E ele tem um exérci­to, um cien­tista e uma ban­deira que lem­bra um SS, e é inter­pre­ta­do pelo canas­trão Jay Robin­son, que foi o Calígu­la em Man­to Sagra­do (EUA, 1953), mas deve ser mais lem­bra­do por ter par­tic­i­pa­do de A Rain­ha Tirana (EUA, 1955). E neste Three The Hard Way atende pelo incrív­el nome de Mon­roe Feath­er…

O grande plano de Mon­roe começa com a con­t­a­m­i­nação da água em Detroit, Los Ange­les e Wash­ing­ton – claro, as três cidades onde vivem os três heróis. Jim Brown é Jim­my Lait, que tem seu ami­go mor­to e namora­da seqüestra­da pelos vilões; Fred Williamson é Jag­ger Daniels, o per­son­agem menos apro­fun­da­do, e Jim Kel­ly é Mis­ter Keyes, mestre de caratê com roupas bril­hantes e col­ori­das. A primeira meia-hora de filme serve basi­ca­mente para con­hecer­mos os per­son­agens, com algu­mas cenas antológ­i­cas no meio (uma perseguição com tiroteio em um par­que de diver­sões e o espal­hafatoso carate­ca der­ruban­do poli­ci­ais no meio da rua – e tudo sendo com­ple­ta­mente igno­ra­do pelos transe­untes), mas depois que os três se jun­tam, Three The Hard Way se tor­na definidor de parâmet­ros den­tro do blax­ploita­tion.

Difer­ente de out­ros filmes da época, o teor racial (ape­sar da história absur­da) é mín­i­mo. Three The Hard Way é mais cal­ca­do no espetácu­lo, nas cenas de ação, que na políti­ca e, por isso, talvez seja mais acessív­el para os menos ínti­mos do esti­lo.

E como todo exploita­tion que se preze, Three The Hard Way tem sua cena do peit­in­ho, quan­do três moto­queiras vestin­do roupas de couro col­ori­das são chamadas para tor­tu­rar um pri­sioneiro dos três heróis. A úni­ca razão de ser da tal cena é mostrar as três atrizes peladas – entre as quais está Irene Tsu, cujo nome pode não sig­nificar nada, mas provavel­mente já foi vista par­tic­i­pan­do em uma das inúmeras séries que fez ao lon­go da car­reira ou mes­mo de alguns filmes mais con­heci­dos, como Um Mil­ionário na Alta Roda (EUA, 1986).

Enfim, demor­ei anos para ver Three The Hard Way e acabou se tor­nan­do um dos meus blax­ploita­tions favoritos. Como é comum nesse tipo de pro­dução, as imper­feições adi­cionam muito mais do que atra­pal­ham. As atu­ações pouco con­vin­centes, os car­ros que explo­dem sem moti­vo aparente, o fer­i­men­to à bala que é esque­ci­do depois de poucos min­u­tos etc., tudo fun­ciona tão bem que até parece estar lá de propósi­to! Um exce­lente filme para os ini­ci­a­dos e uma óti­ma por­ta de entra­da para os inter­es­sa­dos.

Cena do filme:


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