Crítica: VIPs

Um son­ho lev­a­do até as últi­mas con­se­quên­cias ou uma aven­tu­ra em que se vai tão longe que fica difí­cil saber onde parar? Não é fácil definir a tra­jetória do farsante Marce­lo Rocha, con­heci­do por golpes no país chegan­do no ápice com a farsa de ser Hen­rique Con­stan­ti­no, fil­ho do dono da empre­sa Gol Lin­has Aéreas, em 2001. Em VIPs (Brasil, 2010), dirigi­do por Toniko Melo e adap­ta­do do livro homôn­i­mo de Mar­i­ana Caltabi­ano, é apre­sen­ta­da uma ver­são fic­tí­cia da con­tur­ba­da — e cheia de fac­etas — vida de Marce­lo Nasci­men­to da Rocha.

Marce­lo sem­pre fora um garo­to difer­ente e sem­pre son­hara em ser um grande pilo­to como seu pai. E jus­ta­mente com as lem­branças da figu­ra pater­na que resolve sair da sua casa no inte­ri­or do Paraná e ir para Cuiabá para ten­tar ser pilo­to. Como o cam­in­ho nem sem­pre é fácil, já cansa­do em não enten­der o seu lugar no mun­do, decide encar­ar novos per­son­agens e se envolver nas mais difer­entes situ­ações, para chegar onde dese­ja. Des­de envolvi­men­to com o trá­fi­co na divisa da fron­teira brasileira até a farsa de ser o fil­ho do dono de uma grande empre­sa aérea, Marce­lo não con­segue ser mais ele mes­mo e sim um per­son­agem adap­ta­do a cada situ­ação.

O foco do roteiro de VIPs está nos traços psi­cológi­cos do golpista Marcelo.A adap­tação vai atrás do viés humano do homem que apli­cou inúmeros golpes além dos apre­sen­ta­dos no enre­do do lon­ga. Claro, existe toda uma glamur­iza­ção do anti-herói que vira estrela, já bem apre­sen­ta­do, por exem­p­lo, na tam­bém adap­tação Meu nome não é John­ny. Mas tam­bém há o lado de dese­qui­líbrio psíquico do per­son­agem inter­pre­ta­do por Wag­n­er Moura, ele real­mente não sabe quem é e por esse moti­vo em muitos momen­tos aca­ba fal­han­do nos dis­farces.

O dire­tor Toniko Melo reforça que o Marce­lo de VIPs se difere em muito com o Marce­lo da vida real, por isso o filme é muito mais que uma drama­ti­za­ção da real­i­dade, ele é cheio de nuances imag­i­na­dos para o lon­ga . Depois de com­preen­der este tra­bal­ho de rote­i­riza­ção da história orig­i­nal, ele pas­sa a con­vencer mais, difer­ente do trail­er divul­ga­do que sug­ere uma odis­seia mar­gin­al bem ao esti­lo de Pren­da-me Se For capaz.

O ator Wag­n­er Moura, já estigma­ti­za­do pelo per­son­agem de Capitão Nasci­men­to, con­segue emprestar um olhar mais infan­til e ao mes­mo tem­po mais insti­ga­do para Marce­lo e a cada novo per­son­agem que o farsante vai encar­nan­do ao lon­go do cam­in­ho. Um pon­to pos­i­ti­vo de VIPs quan­to ao elen­co é o uso, prin­ci­pal­mente, de atores ori­un­dos dos pal­cos e menos estre­las tele­vi­si­vas, o que desen­volveu um aspec­to mais orig­i­nal ao lon­ga.

Con­fes­so que fui assi­s­tir VIPs esperan­do um cer­to cos­tume brasileiro de endeusar histórias de ban­di­dos, golpis­tas e afins, mas tive uma bela sur­pre­sa com um filme que desen­volve exata­mente o que propõe: uma ficção em torno de situ­ações verídi­cas, nen­hum grande com­pro­mis­so com a real­i­dade. O prêmio de mel­hor filme no últi­mo Fes­ti­val do Rio foi mere­ci­do, vale a pena o ingres­so.

VIPs está em car­taz, con­fi­ra em quais salas em algu­mas cap­i­tais:

Curiti­ba

Por­to Ale­gre

São Paulo

Rio de Janeiro

Belo Hor­i­zonte

Con­fi­ra out­ros no site do Refilmagem.

Trail­er:


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